quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Resposta ao artigo de Julio Sergio Cardozo, "Futuro das secretárias em xeque"

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Quero fazer parte do grande grupo que se manifestou em relação ao artigo de Julio Sergio Cardozo do dia 30 de setembro, “ Futuro das Secretárias em xeque”.


Como um dos focos do meu trabalho é lidar com pessoas, procuro ter como um dos meus princípios o pressuposto da PNL – programação neurolinguística “ de que todo ser humano ao agir tem uma intenção positiva”. Podemos não concordar com a intenção, mas é importante identificá-la, para convivermos de maneira saudável com a diversidade de perfis, opiniões, etc.

Logo, acredito de coração que a intenção dele deve ter sido positiva ao escrever esse artigo.

Porém, faz parte da minha missão, como profissional, orientar todos aqueles que falam da profissão de Secretária, visto ser uma participante ativa de toda a trajetória e evolução da profissão, nos últimos 30 anos.

Esta atuação me possibilita estar atualizada em relação à grade curricular dos cursos de Graduação, Pós-Graduação, à atuação efetiva dos Sindicatos Estaduais da categoria e da Federação Nacional, às exigências das empresas, do setor público e privado, nas quais ministro cursos de Desenvolvimento Profissional, para as secretárias(os), além de treinar também profissionais da área de Gestão.

Como consultora, entendo ser difícil entender de todas as profissões. O currículo do Julio Sergio comprova rica formação e grande experiência, o que, a princípio, nos deixa surpresas,  por colocar em seu artigo muitas informações que não estão atualizadas.

Tomo a liberdade de discordar de várias colocações do artigo, apresentando dados concretos e objetivos.

No segundo parágrafo “as secretárias perderam sua finalidade principal que é melhorar a produtividade de seu chefe”, e no terceiro “agora o próprio chefe agenda suas reuniões, envia e-mails, programa sua viagem, coordena atividades” tenho dúvidas de que tipo de gestor (prefiro esta nomenclatura a de chefe) ele se refere.

Partindo da minha realidade, como gestora, que me incluo entre os pequenos empresários, eu posso afirmar, sem medo de errar, que não sobrevivo sem secretária. Eu ainda me dou ao luxo de saber fazer todas as atividades, porque fui secretária durante 21 anos. Tenho também as ferramentas tecnológicas básicas (computador, blackberry, skype, site, blog, twitter). Mesmo assim, não abro mão da minha secretária, porque meu foco está na essência do meu negócio, que é dar consultoria, palestras e cursos. Para eu manter meus clientes fidelizados e encantados, quero sempre apresentar diferenciais no meu desempenho, o que dá muito trabalho e exige muito tempo.

A minha convivência com muitos outros gestores, de empresas médias e grandes, me permite estender a minha realidade para todos eles.

O gestor que optar em cuidar dessas atividades, em detrimento do core business, poderá sim reduzir custos, mas o prejuízo maior será no seu sucesso profissional, porque terá muito pouco tempo para evoluir, empreender, de acordo com as mutações do mercado e competitividade acirrada.

As sugestões que ele fornece para o futuro "enveredar na área administrativa, chefiando equipes de profissionais, agindo como facilitadora e ajudando a atingir as metas de trabalho do chefe com menos tempo e melhor qualidade" já fazem parte do perfil atual há muitos anos.

O Livro “Economia da Atenção “ de Thomas H. Davenport e John C. Beck, Editora Campus, aborda com muita propriedade, que na atualidade os fatores disponíveis para todas as empresas e profissionais são: informação, capital e tecnologia. O item finito é a “atenção” dos gestores. Ele alerta que essa “atenção” pode atuar como estratégia competitiva, se for colocada nos assuntos relevantes do negócio. Os autores também enfatizam que, com o volume de informações que triplica, a cada cinco anos, no mundo e nas organizações, é vital que os gestores tenham nas suas equipes profissionais que façam a triagem do que é importante para o negócio, porque senão correm o risco de gastar a principal “moeda” que é a “atenção”, com a rotina e não com os fatores estratégicos.

Concordo em número e grau com esses autores e, há muito, desenvolvemos as profissionais secretárias para fazerem este papel de triagem, organização, encaminhamento, solução, não só das informações, como dos relacionamentos e contatos com clientes, externos e internos, dos pares, equipes, etc.

O termo “agente facilitador” já está incorporado à profissão há décadas. Foram acrescidos a ele outros, que retratam a polivalência, tais como: agente de resultados, agente de qualidade, agente de mudança, além de coordenadora da gestão das informações. Muitos autores que escrevem sobre a profissão a consideram “multifuncional”.

A profissional secretária é referência de qualidade no mundo. O Jornal inglês, The Guadian, já anunciava num artigo publicado, em 30/04/2001, “As melhores secretárias do mundo são as brasileiras”.

De acordo com a pesquisa feita nos Estados Unidos e publicada no Brasil, num artigo do jornalista Gilberto Dimenstein, em abril de 1995, a profissão de secretária é a que mais cresce no mundo. Em primeiro e segundo lugares estão as profissões de vendedores e professores, respectivamente.

Peço desculpas pela extensão da minha manifestação, mas acredito que a causa justifica.